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	<title>capoeira regional Archives - Abadá Capoeira Luxemburgo</title>
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	<description>Escola de Capoeira para crianças e adultos em Luxemburgo</description>
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	<title>capoeira regional Archives - Abadá Capoeira Luxemburgo</title>
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		<title>Eventos da Abadá-Capoeira na Europa</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 11:42:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Abadá-Capoeira promove, ao longo do ano, encontros que reúnem alunos, instrutores e mestres em diferentes países europeus. Esses eventos cumprem um papel formativo e cultural, fortalecendo a comunidade e ampliando a presença da capoeira no continente. Objetivos dos eventos Formação técnica: aulas intensivas, seminários e workshops conduzidos por mestres e professores experientes. Reconhecimento de [&#8230;]</p>
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									<p>A Abadá-Capoeira promove, ao longo do ano, encontros que reúnem alunos, instrutores e mestres em diferentes países europeus. Esses eventos cumprem um papel formativo e cultural, fortalecendo a comunidade e ampliando a presença da capoeira no continente.</p><h5>Objetivos dos eventos</h5><ul><li><strong>Formação técnica:</strong> aulas intensivas, seminários e workshops conduzidos por mestres e professores experientes.</li><li><strong>Reconhecimento de graduações:</strong> cerimônias de batizado e trocas de cordas que marcam a evolução dos praticantes.</li><li><strong>Integração cultural:</strong> convívio entre capoeiristas de diversos países, promovendo troca de experiências e valores.</li><li><strong>Visibilidade e expansão:</strong> apresentações e rodas abertas que aproximam novos públicos da capoeira.</li></ul><h3>Principais encontros no calendário europeu</h3><h5>Jogos Ibéricos</h5><p>Encontro que tradicionalmente reúne praticantes de Portugal e Espanha, com participação de outros países. Combina competições, aulas, palestras e rodas, favorecendo o intercâmbio técnico e cultural.</p><h5>Jogos Europeus</h5><p>Evento de grande porte com presença de capoeiristas de toda a Europa e, frequentemente, mestres convidados do Brasil. Inclui atividades pedagógicas, culturais e desportivas, com programação distribuída por vários dias.</p><h5>Batizados e Trocas de Cordas</h5><p>Cerimônias locais organizadas em diferentes cidades europeias, nas quais novos alunos recebem a primeira corda e praticantes graduados avançam na hierarquia. São momentos centrais de reconhecimento e integração.</p><h5>Zumbimba</h5><p>Celebrado anualmente em novembro em homenagem a Zumbi dos Palmares e Mestre Bimba. Na Europa, ocorre de forma descentralizada, com atividades presenciais e, por vezes, participação online.</p><h5>Abadácadêmico</h5><p>Formato online com palestras e debates sobre história, saúde, pedagogia, musicalidade e metodologia. Favorece a atualização contínua e o acesso de praticantes que residem em diferentes países.</p><h5>Por que participar</h5><ul><li>Aprimoramento técnico com orientação de mestres e professores.</li><li>Vivência cultural e fortalecimento do sentido de comunidade.</li><li>Oportunidade de networking e de intercâmbio entre grupos europeus.</li><li>Desenvolvimento pessoal em disciplina, respeito e consciência histórica.</li></ul><h5>Recomendações práticas</h5><ul><li>Verificar graduações mínimas para participação em competições.</li><li>Inscrever-se com antecedência e consultar a programação completa.</li><li>Preparar-se para atividades teóricas e práticas, incluindo rodas.</li><li>Acompanhar os canais oficiais para atualizações de datas e locais.</li></ul><h5>Informação adicional</h5><p>A agenda de eventos pode variar por país e cidade. Para detalhes sobre datas, inscrições e requisitos, recomenda-se consultar os núcleos locais e as comunicações oficiais da Abadá-Capoeira na Europa.</p>								</div>
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		<title>Capoeira Angola e Capoeira Regional. Conheça ás diferenças, ás convergências e os encontros</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 17:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura & História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história da capoeira moderna não pode ser contada sem falar de dois grandes mestres: Mestre Pastinha, o guardião da Capoeira Angola, e Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional. Suas visões distintas ajudaram a moldar a capoeira em duas vertentes que, embora diferentes em estilo e filosofia, compartilham a mesma raiz africana e o [&#8230;]</p>
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									<p>A história da capoeira moderna não pode ser contada sem falar de dois grandes mestres: <strong>Mestre Pastinha</strong>, o guardião da Capoeira Angola, e <strong>Mestre Bimba</strong>, o criador da Capoeira Regional. Suas visões distintas ajudaram a moldar a capoeira em duas vertentes que, embora diferentes em estilo e filosofia, compartilham a mesma raiz africana e o mesmo espírito de resistência.</p>
<h5>As origens da Capoeira Angola</h5>
<p>A Capoeira Angola é considerada a forma mais próxima da capoeira praticada pelos escravizados africanos no Brasil colonial. Para Mestre Pastinha, a Angola era a “capoeira legítima”, preservada em sua cadência lenta, nos movimentos rasteiros, na malícia e na ritualização do jogo. O toque de Angola no berimbau dita um ritmo cadenciado, que privilegia a estratégia, a criatividade e o diálogo corporal.</p>
<blockquote>
<p><em>“Capoeira Angola é para homem, menino e mulher. O que manda é a mandinga.”</em></p>
<cite>— Mestre Pastinha</cite></blockquote>
<p>Mais do que uma luta, a Angola é filosofia, ancestralidade e memória. Seus rituais, como a chamada de Angola, as ladainhas e a presença de uma bateria completa, reforçam o caráter sagrado da roda. Jogar Angola é, portanto, jogar com respeito às tradições africanas e ao sentido cultural da capoeira como resistência.</p>
<h5>A criação da Capoeira Regional</h5>
<p>Nos anos 1930, Mestre Bimba criou a Capoeira Regional na Bahia. Sua proposta era valorizar a eficiência marcial da capoeira, em um momento em que a prática ainda era vista com preconceito e criminalizada. Bimba incorporou sequências de ensino, introduziu novos golpes e criou uma metodologia pedagógica que facilitava a entrada de alunos de diferentes origens sociais.</p>
<p>A Regional trouxe mais velocidade, golpes em pé e uma visão atlética da capoeira. Com uniformes brancos e cordéis de graduação, Mestre Bimba deu um novo status à prática, conquistando reconhecimento oficial em 1937, quando apresentou sua arte ao então presidente Getúlio Vargas.</p>
<h5>Diferenças de estilo e filosofia</h5>
<ul>
<li><strong>Ritmo:</strong> Angola privilegia o toque lento do berimbau; Regional aposta em cadência mais acelerada.</li>
<li><strong>Movimentos:</strong> Angola tem jogo baixo, rasteiro e estratégico; Regional valoriza agilidade, floreios e golpes em pé.</li>
<li><strong>Filosofia:</strong> Angola destaca a tradição e o aspecto cultural; Regional foca na eficiência marcial e no ensino sistemático.</li>
<li><strong>Ritual:</strong> Angola mantém forte ligação com ancestralidade africana; Regional adapta para um formato esportivo e pedagógico.</li>
</ul>
<h5>Convergências e encontros</h5>
<p>Embora muitas vezes colocadas em oposição, Angola e Regional se complementam. Ambas partem da mesma raiz africana e compartilham a musicalidade, a roda e o jogo como essência. Muitos mestres contemporâneos reconhecem que a capoeira moderna é fruto do diálogo entre as duas vertentes. Nas rodas atuais, é comum encontrar jogos que misturam a malícia da Angola com a velocidade da Regional, mostrando que a capoeira é múltipla e diversa.</p>
<h5>Angola e Regional no século XXI</h5>
<p>No mundo contemporâneo, Angola e Regional coexistem e se influenciam. A Angola segue como guardiã da ancestralidade e espiritualidade, enquanto a Regional se expandiu em associações globais como a ABADÁ. Ao mesmo tempo, novas gerações de mestres reconhecem que a capoeira não pode ser reduzida a uma divisão rígida: ela é movimento vivo, capaz de unir tradição e inovação.</p>
<p>Assim, falar de Angola e Regional não é escolher lados, mas compreender a riqueza de uma arte que se reinventou a partir de duas grandes visões. No fim, ambas se encontram na roda, sob o som do berimbau, onde toda diferença se dissolve na ginga.</p>								</div>
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									<h4>Capoeira ABADÁ: constituições técnicas, pedagógicas e históricas</h4>
<p>A distinção entre <strong>Capoeira Angola</strong> e <strong>Capoeira Regional</strong> ilustra dois modelos de prática com ênfases diferentes — o primeiro centrado no jogo lento, no toque ritualístico e na musicalidade ancestral; o segundo marcado por maior velocidade, vigor físico e adaptação para competições. Nesse cenário, a <strong>Capoeira ABADÁ</strong> surge como uma síntese e também como uma evolução com identidade própria, apropriando-se de elementos de ambos os estilos, mas sistematizando-os dentro de uma proposta pedagógica definida e voltada para a difusão em escala global.</p>

<p><strong>Mestre Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso)</strong>, discípulo de Mestre Bimba, fundou a ABADÁ em 1988 como resposta à necessidade de organizar e expandir a capoeira em um momento de crescente projeção nacional e internacional. Seu trabalho não se limitou a reproduzir Angola ou Regional, mas estruturou uma metodologia própria de ensino, na qual a técnica é trabalhada com clareza de progressão e adaptada às diferentes faixas etárias e perfis socioculturais.</p>

<h5>Aspectos técnicos e pedagógicos</h5>
<p>Na ABADÁ, a ginga, as esquivas, o jogo de chão e os ataques fundamentais são estudados de forma sistemática, com ênfase na postura, na biomecânica e na fluidez entre defesa e ataque. O processo formativo é estruturado de maneira gradual, permitindo ao aluno compreender não apenas o <em>o que fazer</em>, mas também o <em>por que fazer</em>, dominando o tempo, o ritmo e a intenção de cada movimento. Esse modelo pedagógico possibilita integrar a energia e o vigor da Regional com a cadência e a musicalidade da Angola, resultando em um aprendizado consciente e equilibrado.</p>

<p>Além da dimensão técnica, a ABADÁ dedica grande atenção à valorização cultural e histórica da capoeira. Mestre Camisa investiu no resgate das raízes afro-brasileiras por meio dos cantos, da percussão e dos sambas de roda, reforçando a capoeira como manifestação cultural e não apenas como prática física. Outro ponto de destaque é a acessibilidade: a metodologia da ABADÁ é inclusiva e adaptável, sendo aplicada em crianças, jovens e adultos, tanto em contextos urbanos quanto rurais, e prevendo adaptações conforme o nível de experiência ou condicionamento físico de cada praticante.</p>

<h5>Contribuição internacional e reconhecimento patrimonial</h5>
<p>Sob a liderança de Mestre Camisa, a ABADÁ expandiu-se para dezenas de países, consolidando-se como uma das maiores organizações de capoeira do mundo. Sua atuação levou a arte para palcos internacionais, universidades, projetos sociais e eventos esportivos, contribuindo de maneira decisiva para o reconhecimento da capoeira como <strong>Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014</strong>. Esse feito evidencia não apenas a relevância cultural da capoeira, mas também o êxito do trabalho institucional desenvolvido pela ABADÁ no campo da organização, do ensino e da pesquisa.</p>

<h5>Legado e desafios</h5>
<p>O legado de Mestre Camisa vai além da criação de um estilo. Ele consolidou uma visão de capoeira como <strong>instrumento de transformação social, educação e integração cultural</strong>, inspirando milhares de praticantes no Brasil e no mundo a preservar e difundir essa herança afro-brasileira com disciplina, respeito e criatividade. Contudo, sua proposta também suscita desafios permanentes:</p>

<p><strong>Como equilibrar tradição e inovação</strong> sem perder a autenticidade da Angola ou o vigor competitivo da Regional?<br>
<strong>De que forma a pedagogia da ABADÁ</strong> pode continuar se adaptando a novos públicos e realidades culturais?<br>
<strong>E qual o papel da pesquisa acadêmica</strong> — em áreas como a antropologia, a educação física e a história — para consolidar e difundir boas práticas no ensino, na música e no jogo?</p>
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		<title>Conheça a importância da malícia e a resistência na capoeira</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 13:53:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A capoeira nasceu como uma arte de sobrevivência, mas também como uma filosofia de vida. Muito além de chutes e esquivas, ela carrega em si conceitos profundos que explicam sua força cultural e social. Entre eles, dois se destacam: a malícia e a resistência. Juntas, essas dimensões ajudaram a capoeira a atravessar séculos de perseguição [&#8230;]</p>
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									<p>A capoeira nasceu como uma arte de sobrevivência, mas também como uma filosofia de vida. Muito além de chutes e esquivas, ela carrega em si conceitos profundos que explicam sua força cultural e social. Entre eles, dois se destacam: a <strong>malícia</strong> e a <strong>resistência</strong>. Juntas, essas dimensões ajudaram a capoeira a atravessar séculos de perseguição e a se tornar hoje um patrimônio cultural da humanidade.</p>

<h5>A malícia: mais que um movimento</h5>
<p>Na capoeira, malícia não é sinônimo de enganar de forma negativa. Ela significa <strong>astúcia, criatividade e inteligência no jogo</strong>. É a capacidade de prever o movimento do outro, de esconder intenções, de jogar com ritmo e surpresa. É também saber esperar, fingir, provocar e, no momento certo, agir.</p>

<p>A malícia é ensinada desde cedo nas rodas, porque representa a essência da ginga: nunca seguir em linha reta, mas sim encontrar caminhos inesperados. Como dizia Mestre Pastinha:</p>

<blockquote>
  <p><em>“O capoeirista deve ser como o vento: invisível, imprevisível, mas sempre presente.”</em></p>
  <cite>— Mestre Pastinha</cite>
</blockquote>

<h5>Resistência cultural e social</h5>
<p>A história da capoeira está marcada pela resistência. Nasceu entre os africanos escravizados no Brasil como forma de defesa, mas também de afirmação cultural. Durante séculos foi criminalizada, perseguida pela polícia e associada à marginalidade. Ainda assim, resistiu. Sobreviveu nos quilombos, nas ruas, nos terreiros e nos becos, reinventando-se sempre.</p>

<p>Em 1937, com a fundação da primeira academia de capoeira por Mestre Bimba, deu um passo decisivo rumo à legalização e à aceitação social. Desde então, a resistência da capoeira deixou de ser apenas física e passou também a ser simbólica: lutar para preservar tradições, músicas, rituais e filosofias em meio às mudanças do mundo moderno.</p>

<blockquote>
  <p><em>“Capoeira é luta, mas é também liberdade. É a arma que nunca se deixou calar.”</em></p>
  <cite>— Mestre Bimba</cite>
</blockquote>

<h5>Malícia como forma de resistência</h5>
<p>A malícia e a resistência se encontram no modo como a capoeira sobreviveu. A astúcia dos mestres em disfarçar a luta como dança, a esperteza dos capoeiristas em se adaptar a novas realidades e a inteligência cultural em transformar repressão em arte foram, todas, expressões dessa malícia que é também resistência.</p>

<p>Hoje, nas rodas pelo mundo, a malícia continua viva: está no sorriso antes de um golpe, na música que dita o ritmo do jogo, na cadência da ginga que nunca é apenas um movimento, mas sim uma <strong>estratégia de vida</strong>. Ela nos lembra que resistência não é só força bruta, mas também sutileza, flexibilidade e criatividade.</p>

<h5>Um legado vivo</h5>
<p>Ao unir malícia e resistência, a capoeira se reafirma como arte total: corporal, filosófica e cultural. É um convite para olhar além do óbvio, encontrar brechas no impossível e transformar opressão em liberdade. É por isso que, ainda hoje, a capoeira continua sendo uma das expressões mais poderosas de <strong>resiliência cultural</strong> do povo brasileiro.</p>
								</div>
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		<title>Quem é o Mestre Camisa: o elo vivo entre tradição e inovação na capoeira</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 12:24:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nascido em 28 de outubro de 1955 na Fazenda Estiva, em Jacobina, sertão da Bahia, José Tadeu Carneiro Cardoso — o Mestre Camisa — cresceu em uma família de capoeiristas, sendo o quarto de nove irmãos. Seu irmão mais velho, Camisa Roxa, foi aluno de Mestre Bimba e seu primeiro grande incentivador, levando-o ainda criança [&#8230;]</p>
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									<p>Nascido em 28 de outubro de 1955 na Fazenda Estiva, em Jacobina, sertão da Bahia, José Tadeu Carneiro Cardoso — o <strong>Mestre Camisa</strong> — cresceu em uma família de capoeiristas, sendo o quarto de nove irmãos. Seu irmão mais velho, Camisa Roxa, foi aluno de Mestre Bimba e seu primeiro grande incentivador, levando-o ainda criança para treinar na academia de Bimba em Salvador. Esse contato direto com o criador da Capoeira Regional moldou sua base técnica e filosófica.</p>

  <h5>De Jacobina ao Rio: forjando o mestre</h5>
  <p>Após seus primeiros anos de aprendizado na Bahia, Camisa integrou uma turnê com o Grupo Folclórico Oludumaré, que percorria o Brasil com apresentações de samba de roda, puxada de rede, maculelê e capoeira. Em 1972, durante uma temporada no Rio de Janeiro, decidiu permanecer na cidade. Os primeiros anos foram de grandes dificuldades: chegou a dormir em rodoviárias e praias, até encontrar abrigo em uma academia de judô, onde passou a ensinar capoeira em troca de um espaço para viver e treinar. Ainda na década de 1970, aproximou-se do grupo Senzala, com quem desenvolveu intensa prática até meados dos anos 1980.</p>
<h5>Fundação da ABADÁ-Capoeira</h5>
  <p>Em 1988, inspirado por Mestre Bimba e guiado pela necessidade de organizar a prática da capoeira de forma mais pedagógica e comunitária, fundou a <strong>Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (ABADÁ-Capoeira)</strong>. A associação, sem fins lucrativos, cresceu de forma exponencial e tornou-se uma das maiores do mundo, presente em mais de 30 países e reunindo dezenas de milhares de praticantes. A ABADÁ consolidou um método que valoriza a disciplina, o respeito, a musicalidade e o aspecto social da capoeira, transformando-a em um instrumento de cidadania e inclusão.</p>

  <blockquote>
    <p><em>“A capoeira deve ter um pé no passado e outro no futuro.”</em></p>
    <cite>— Mestre Camisa</cite>
  </blockquote>

  <h5>Filosofia e técnica contemporânea</h5>
  <p>Mestre Camisa desenvolveu uma técnica reconhecida por sua eficiência: neutralizar adversários mais fortes com rapidez, quedas, alavancas e precisão. Sua visão mescla elementos da Capoeira Regional e da Angola, valorizando tanto a eficiência marcial quanto a musicalidade e a malícia do jogo. Sob sua liderança, a ABADÁ estruturou um sistema de graduação com cordas de diferentes cores, representando o crescimento técnico e o compromisso ético de cada capoeirista.</p>								</div>
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					<div class="lte-heading lte-size-lg lte-style-header-subheader lte-subcolor-white has-subheader heading-tag-h2 heading-subtag-h6"><div class="lte-heading-content"><h6 class="lte-subheader">História da Capoeira</h6><h2 class="lte-header">MESTRE CAMISA NA ATUALIDADE</h2></div></div>				</div>
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									<h5>Reconhecimento e impacto social</h5>
  <p>Pelo seu trabalho em prol da cultura afro-brasileira, Camisa recebeu diversos reconhecimentos. Em 2010, foi homenageado com o título de <strong>Doutor Honoris Causa</strong> pela Universidade Federal de Uberlândia. Em 2018, recebeu a <strong>Medalha Thomé de Souza</strong>, honraria concedida pela cidade de Salvador, e em 2023 foi nomeado <strong>Cidadão Honorário Piauiense</strong>, pelo impacto de sua obra cultural e social.</p>

  <h5>Centro Educacional Mestre Bimba (CEMB)</h5>
  <p>Outra iniciativa marcante de sua trajetória é a criação do <strong>Centro Educacional Mestre Bimba (CEMB)</strong>, em Itaboraí, no Rio de Janeiro. O espaço funciona como um polo cultural e ecológico, reunindo vivências de capoeira, oficinas artísticas, atividades comunitárias e preservação ambiental. Construído de forma sustentável, tornou-se uma referência para a integração entre capoeira, educação e natureza.</p>

  <p>Hoje, aos 69 anos, Mestre Camisa segue ativo, conduzindo rodas, seminários e batizados no Brasil e no exterior. Sua obra se traduz em uma capoeira que é ao mesmo tempo tradição e inovação, resistência e cidadania, luta e poesia. Em cada roda da ABADÁ espalhada pelo mundo, ecoa a visão de um mestre que transformou a arte da ginga em um caminho de identidade e futuro.</p>								</div>
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		<title>Mestre Bimba: o pai da Capoeira Regional</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 12:12:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura & História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pedagogia, filosofia e ética Bimba criou um estilo completo: musicalidade própria (como o toque São Bento Grande de Bimba), ética do jogo, hierarquia com graduações simbólicas (calouro, formado, especializado), e treinamento rigoroso. Inspirava-se no batuque, mantinha a ginga e ressaltava que “o chão é amigo do capoeirista”, valorizando equilíbrio e técnica sobre acrobacia gratuita. Últimos [&#8230;]</p>
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									No dia <strong>23 de novembro de 1900</strong>, em Salvador, nasceu Manoel dos Reis Machado — que viria a ser conhecido como <strong>Mestre Bimba</strong>. Filho de um mestre do batuque e de uma mãe que sustentava a família com trabalho honesto, Bimba cresceu rodeado por histórias de resistência e música corporal. O apelido que o marcou para a vida surgiu ainda no parto, com uma fala espontânea da parteira: “É um menino! Veja seu bimba!”. Assim, entrou no mundo com nome curioso, mas ganharia sentido histórico.
<h5>Infância e insubmissão criativa</h5>
Aos doze anos, começou a estudar capoeira Angola com Bentinho, um capitão-arrieiro. Logo percebeu que a prática corria o risco de morrer como “dança” sem força de combate. Com inquietação, começou a incorporar movimentos do batuque — luta em que seu pai era mestre — e a desenvolver técnicas como martelo e queixada. Quebrava a tradição com base, mas para reconstruí-la com eficácia. Sua busca culminou na criação da <strong>Capoeira Regional</strong>, revolucionária e funcional.
<h5>A escola que mudou tudo</h5>
Nos anos 1930, Mestre Bimba estruturou a capoeira pela primeira vez como método de ensino: montou sequências didáticas, reformulou o treino, sistematizou movimentos. Em 1932 fundou o “Centro de Cultura Física e Luta Regional Baiana”, legalizado apenas em junho de 1937 — marco fundamental num período em que capoeira ainda era vista como crime. O mestre exigia disciplina, registros, deparou-se com estranhos, buscou respeito e abriu sua academia a mulheres, estudantes e profissionais da elite, tornando a capoeira uma prática respeitada.
<blockquote><em>“Tirei a capoeira debaixo do pé do boi.”</em>

<cite>— Mestre Bimba</cite></blockquote>
<h5>Validação pública e reconhecimento</h5>
Em 1936, Bimba venceu sucessivos duelos contra lutadores de outras artes marciais, provando que sua capoeira era eficaz. No ano de 1953, teve seu ápice de reconhecimento ao tocar para o presidente Getúlio Vargas, que definiu: <em>“A capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional.”</em> Também participou do Primeiro Festival Mundial de Arte Negra em Dakar — internacionalizou sua capoeira como símbolo cultural brasileiro.								</div>
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									<h5>Pedagogia, filosofia e ética</h5>
Bimba criou um estilo completo: musicalidade própria (como o toque São Bento Grande de Bimba), ética do jogo, hierarquia com graduações simbólicas (calouro, formado, especializado), e treinamento rigoroso. Inspirava-se no batuque, mantinha a ginga e ressaltava que “o chão é amigo do capoeirista”, valorizando equilíbrio e técnica sobre acrobacia gratuita.
<h5>Últimos anos e continuidade</h5>
Sentindo-se desamparado pelo Estado, mudou-se para Goiânia em 1973. Faleceu em <strong>5 de fevereiro de 1974</strong>, aos 73 anos, encerrando uma vida de ensino e luta. Discípulos como Mestre Vermelho deram continuidade à sua obra, convertendo o Centro em Associação de Capoeira Mestre Bimba com filiais em países como Japão, EUA, Rússia, Canadá, Inglaterra e Polônia.

Mestre Bimba não só salvou a capoeira da invisibilidade como a transformou em patrimônio cultural. Ao criar disciplina, universidade de formação, inclusão social e estéticas marcantes, incentivou a capoeira regional a dialogar com o mundo. Quando o berimbau soa em qualquer roda, sua revolução ainda ressoa — viva e pulsante.								</div>
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