Semana Cultural

A música que se vive

Música que nasce do coração e cresce com as crianças

A Semana Cultural da ABADÁ Capoeira é um espaço de encontro, memória e continuidade. Há cinco anos, este evento nasce com um propósito claro: fortalecer nossos princípios, preservar nossa ancestralidade e honrar as origens das manifestações culturais que caminham lado a lado com a capoeira.

Acreditamos que compreender o passado é essencial para construir o futuro. Por isso, a Semana Cultural não é apenas um momento de apresentação, mas de aprendizado profundo, vivido por crianças, jovens e adultos que fazem parte dessa mesma caminhada de conhecimento. Ao longo desta semana, exploramos diferentes expressões culturais que dialogam diretamente com a capoeira — conectadas pela música, pelo movimento, pelo ritmo e pelas tradições que atravessam gerações. Cada gesto, cada som e cada prática carrega história, identidade e sentido.

Os alunos participam ativamente de todo o processo: criação, estudo e ensaios. Não estão aqui apenas para mostrar, mas para vivenciar a cultura, sentir suas raízes e despertar a curiosidade de continuar aprendendo, investigando e respeitando cada uma dessas manifestações no futuro. Para famílias e acompanhantes, a Semana Cultural é também um convite para testemunhar o esforço, a dedicação e a alegria colocados em cada detalhe. O que se vê aqui é resultado de prática, estudo e, acima de tudo, respeito pela cultura que nos forma.

A Semana Cultural ABADÁ é isso — um diálogo entre tradição e futuro, entre ancestralidade e aprendizado,
entre a capoeira e tudo aquilo que cresce junto com ela. Mais do que aprender a tocar um instrumento, as crianças descobrem o prazer de criar sons, explorar movimentos e participar de um ambiente onde a musicalidade faz parte do brincar. Assim, o Tomzinho transforma a percussão em muito mais do que aprendizado técnico: uma experiência de crescimento, cultura, expressão e alegria.

A percussão é uma das formas mais antigas e universais de expressão humana. Através do ritmo, desperta emoções, conecta culturas e estimula o desenvolvimento motor, cognitivo e social. No Projeto Tom, a percussão é utilizada como uma ferramenta lúdica e educativa para introduzir crianças de 3 a 10 anos ao universo musical de forma natural e envolvente.

ancestralidade e musicalidade

Valorizando as raízes reconhecendo a história

O Tom de Percussão nasce do encontro entre cultura, música e ancestralidade. É um projeto que acredita no poder das expressões culturais como caminho de aprendizado, conexão e pertencimento. Inspirado em vivências que se renovam ao longo dos anos, ele carrega um propósito claro: valorizar as raízes, reconhecer a história e fortalecer os princípios que sustentam as manifestações culturais que atravessam gerações. Aqui, compreender o passado é parte essencial da construção do futuro.

A música, o ritmo, o corpo e o movimento dialogam entre si. Assim como na capoeira, cada expressão cultural apresentada no Tomzinho está interligada — pela musicalidade, pela oralidade, pelos gestos e pelas tradições que resistem e se reinventam no tempo. Tudo faz parte de uma mesma linguagem viva. O projeto é pensado como um espaço de vivência e descoberta. Mais do que apresentar conteúdos, ele convida à participação ativa: criar, ensaiar, experimentar e sentir. Cada atividade é uma oportunidade de desenvolver sensibilidade, curiosidade e respeito pela cultura, transformando o aprendizado em experiência.

Famílias, educadores e comunidade caminham juntos neste processo. A presença, o apoio e o olhar atento fortalecem cada passo e revelam o valor de um trabalho construído com dedicação, cuidado e alegria. O Tomzinho é esse encontro entre tradição e futuro, entre ancestralidade e expressão, entre música, corpo e cultura viva. Mais do que um projeto musical, é um convite a viver o ritmo, escutar a história e continuar aprendendo — sempre na batida do coração.

Grupos da Escola

Conheça os estilos e danças tradicionais

Samba de Roda

No Brasil, existem mais de duzentos tipos diferentes de samba, assim como muitas formas do chamado samba de roda. Normalmente, os tambores e pandeiros compõem o ritmo dessa atividade, podendo também aparecer pratos, agogôs, cuias, berimbaus e instrumentos de corda.

Coco de Roda

O Coco de Roda é uma dança e um ritmo que tem seus primeiros registros na região do nordeste do Brasil, perto do estado de Pernambuco. Acredita-se que surgiu nos engenhos de açúcar, sofrendo grande influência de batuques africanos e danças indígenas. Caracteriza-se por um ritmo muito animado, com passos energéticos e roupas muito coloridas.

Jongo

O Jongo é uma dança que se desenvolveu predominantemente na região sudeste do Brasil. Também conhecido como dança de umbigada, tem como principais características não haver contato físico da dupla durante a dança e ser uma dança extremamente respeitosa. Eles são usados três tambores, que são chamados de Caxambu, Tambu ou Candongueira, entre outros instrumentos.

Orquesta de Berimbau

O berimbau, um instrumento de corda criado em Angola e trazido para o Brasil, produz três texturas de som: solta, presa e chiado. Esse instrumento é indispensável nas rodas de capoeira, sendo reverenciado pelos capoeiristas antes de entrarem em jogo. É um ritual sagrado.

Puxada de Rede

A puxada de rede é uma manifestação cultural que retrata e homenageia o trabalho duro da pesca de arrasto. Normalmente, os homens iam à pesca, enquanto as esposas ficavam à espera de seu retorno do mar. Seguindo a batida de um tambor, é dado o ritmo que facilita e organiza a puxada de redes tão pesadas vindas do mar.

Percussão

A percussão é uma das formas mais ancestrais de expressão. Por meio do ritmo, ela transmite emoções, conecta culturas e estimula o desenvolvimento motor, cognitivo e social. No projeto com o qual trabalho, a percussão é utilizada como ferramenta lúdica e educativa para introduzir as crianças de 3 a 10 anos ao universo musical.

Moringue

Na terra da capoeira, o moringue é uma dança de combate que envolve ritmo de música brasileira, provocações, golpes e movimentos.

Tomzinho

A percussão é uma das formas mais antigas e universais da expressão humana. Por meio do ritmo, ela desperta emoções, conecta culturas e estimula o desenvolvimento motor, cognitivo e social. No projeto Tonzinho, a percussão é utilizada como ferramenta múdica e educativa para introduzir as crianças de 3 a 10 anos ao universo musical.

Maculelê

O Maculelê é uma manifestação cultural desenvolvida na região do Recôncavo Baiano. A dança acompanha os diferentes cantos e ritmos dos tambores.

Aprender, Sentir, Viver a Capoeira

Descubra tudo o que a nossa escola oferece

A Semana Cultural foi criada com um propósito muito claro: fortalecer nossos princípios, preservar nossa ancestralidade e reconhecer as origens das manifestações culturais que fazem parte da nossa história. Aqui, acreditamos que compreender o passado é essencial para construir o futuro.

A percussão é uma das formas mais antigas e universais de expressão humana. Por meio do ritmo, ela desperta emoções, conecta culturas e contribui para o desenvolvimento motor, cognitivo e social. No Projeto Tomzinho, a percussão é utilizada como uma ferramenta lúdica e educativa para introduzir crianças de 3 a 10 anos ao universo musical de forma natural e prazerosa.

Criado por Edson Santana, o Tomzinho nasceu do desejo de aproximar a música do cotidiano infantil, oferecendo um espaço acolhedor, criativo e acessível. Inspirado nas raízes afro-baianas, o projeto trabalha com instrumentos variados e ritmos vibrantes, estimulando coordenação motora, atenção, socialização e sensibilidade artística — sempre guiado pelo lema “Na batida do seu coração”.

Mais do que aprender a tocar instrumentos, as crianças são convidadas a descobrir o prazer de criar sons, explorar movimentos e vivenciar a música como parte do brincar. Dessa forma, o Tomzinho transforma a percussão em uma experiência de aprendizado, cultura e alegria, contribuindo para o desenvolvimento integral da criança por meio da arte.

O berimbau é um instrumento de corda de origem africana, criado em Angola e trazido para o Brasil, onde se tornou símbolo fundamental da capoeira. Ele produz três texturas sonoras: som solto, som preso e chiado.

Instrumento indispensável nas rodas de capoeira, o berimbau é reverenciado pelos capoeiristas antes do início do jogo, sendo considerado um elemento sagrado dentro do ritual da roda.

É o berimbau que comanda a roda de capoeira, definindo não apenas o ritmo, mas também o estilo e a dinâmica do jogo.

Tradicionalmente, utilizam-se três berimbaus, cada um com uma função específica. O Gunga, o maior deles, possui o som mais grave e é responsável por comandar a roda e dar a ordem do jogo. O Médio, posicionado ao lado do Gunga, apresenta um som intermediário. Já o Viola, localizado ao lado do Médio, tem o som mais agudo e é o instrumento que realiza o maior número de variações rítmicas.

O berimbau é composto por uma cabaça, um arco de madeira chamado biriba, envergado por um arame de aço. O som é produzido pelas batidas no arame com uma baqueta, com o auxílio de uma pedra ou moeda chamada dobrão. Na mesma mão que segura a baqueta, o tocador utiliza também um chocalho chamado caxixi, que complementa a sonoridade do instrumento.

A Dança do Coco é uma manifestação cultural tradicional do Nordeste do Brasil, com fortes influências africanas e indígenas. Sua origem está ligada ao canto das quebradeiras de coco, entoado durante a busca e a coleta do fruto nas matas, antes de se transformar em um ritmo e dança estruturados.

A dança é realizada de forma coletiva, podendo acontecer em roda, em pares, em fileiras ou em círculos. Há a presença de um cantador ou cantadora que conduz as músicas, enquanto os demais participantes respondem em coro, acompanhando com palmas.

Uma das principais características da Dança do Coco é a cadência marcada pelo som dos pés batendo no chão, criando um ritmo forte e pulsante. Essa sonoridade é complementada pelas batidas dos cocos que os dançarinos carregam nas mãos, reforçando a conexão entre corpo, ritmo e tradição popular.

O Jongo é uma manifestação cultural de origem africana, com raízes nas regiões do Congo e de Angola. Chegou ao Brasil por meio dos povos de origem bantu, trazidos como escravizados para trabalhar nas fazendas de café e de cana-de-açúcar.

Tradicionalmente, o jongo era praticado em dias de festas de santos católicos, sendo muitas vezes permitido pelos donos das fazendas como forma de entretenimento. No entanto, a dança carregava significados muito mais profundos para os praticantes, funcionando como espaço de resistência, ancestralidade e comunicação coletiva.

Trata-se de uma dança de umbigada, realizada em roda, geralmente após o acendimento de uma fogueira. A cerimônia era iniciada pela pessoa mais velha do grupo, que benzía os tambores sagrados e começava a improvisar versos. Esses versos eram respondidos pelos demais participantes com cânticos fortes e palmas marcadas, até que um casal entrasse no centro da roda para dançar.

As cantigas do jongo também funcionavam como uma forma de comunicação simbólica entre os jongueiros, trazendo mensagens codificadas de protesto contra a escravidão, críticas aos senhores das fazendas e combinações de encontros, festas e até fugas, preservando saberes e estratégias por meio da música e da dança.

A Puxada de Rede é uma manifestação cultural surgida no período pós-escravidão, quando muitos negros, sem acesso a oportunidades de trabalho, passaram a exercer a pesca artesanal no mar, especialmente na captura do xaréu.

Entre os meses de outubro e abril, período considerado ideal para a pesca, os pescadores lançavam a rede ao mar durante a noite e, apenas na manhã seguinte, realizavam a puxada. Trata-se de uma atividade extremamente pesada e coletiva, que exigia a participação de um grande número de homens para conseguir retirar a rede do mar.

A puxada de rede era sempre acompanhada por cânticos, em sua maioria de tom melancólico, que falavam sobre as dificuldades da vida, o sofrimento e o árduo trabalho de quem enfrenta o mar. Esses cânticos eram acompanhados por atabaques e por batidas ritmadas dos pés no chão, criando uma cadência que ajudava a manter o ritmo, fortalecer o corpo e renovar a coragem dos pescadores durante o esforço.

Ao final da atividade, eram entoados cânticos de agradecimento pela pesca realizada, e o peixe era dividido entre os pescadores e suas famílias, reforçando os valores de coletividade, partilha e sobrevivência comunitária.

Os cantos, muitas vezes em forma de ladainhas, corridos e quadras, contam histórias, celebram mestres, ensinam valores e fortalecem a identidade do grupo. Eles são passados de geração em geração, mantendo viva a memória e a tradição afro-brasileira.

Aprender capoeira é também aprender a escutar, a cantar e a sentir o ritmo. É deixar-se levar pelo som e descobrir, na música, um caminho de expressão, respeito e comunidade.

O Moringue é uma dança de combate de origem africana, surgida em Madagascar no século XVIII, no contexto das plantações de cana-de-açúcar. Diante da proibição de lutas entre pessoas escravizadas, o moringue foi criado como uma forma de expressão corporal e resistência, permitindo a liberação de tensões, frustrações e conflitos por meio da dança e do movimento.

Tradicionalmente, os praticantes utilizavam calça e camisa brancas durante as apresentações. Atualmente, é cada vez mais comum que os lutadores se apresentem sem camisa, mantendo a força visual e simbólica da manifestação.

No moringue, não são permitidas técnicas de luta corpo a corpo. A prática se baseia principalmente no uso de golpes como pontapés, joelhadas e cabeçadas, exigindo agilidade, precisão e controle corporal. Essa combinação de combate e dança reforça o caráter ritual, expressivo e ancestral do moringue, preservando sua identidade cultural e histórica.

O Maculelê é uma dança folclórica afro-brasileira originária de Santo Amaro, na região do Recôncavo Baiano. Inicialmente praticada por negros e caboclos, essa manifestação cultural consiste na simulação de uma luta coreografada com bastões de madeira, acompanhada pelo som de atabaques e cânticos.

Ao longo do século XX, alguns grupos passaram a utilizar facões no lugar dos bastões em apresentações folclóricas, intensificando o impacto visual da dança, sem perder seu caráter simbólico e ritual.

Diversas lendas estão associadas à origem do Maculelê. Uma das mais conhecidas conta a história de Maculelê, um homem negro ferido que foi acolhido por uma tribo indígena. Certo dia, uma tribo rival surgiu para tomar o território, e Maculelê lutou bravamente utilizando dois bastões de madeira, vencendo o confronto e tornando-se herói da tribo.

A partir dessa narrativa, o Maculelê se consolidou como uma dança baseada na ideia de enfrentamento e ataque simbólico ao oponente, utilizando dois bastões de madeira, unindo força, ritmo, resistência e ancestralidade.

O Samba de Roda é uma manifestação cultural que integra dança, música e poesia. Surgiu no Recôncavo Baiano por volta da década de 1860 e, ao longo do tempo, espalhou-se por diversas regiões do Brasil, tornando-se uma das expressões mais representativas da cultura popular brasileira.

Com fortes influências das culturas africana e portuguesa, o samba de roda mantém estreita relação com a roda de capoeira — que une música e luta — e com os orixás, entidades espirituais de matriz africana, refletindo sua profunda conexão com a ancestralidade e a religiosidade afro-brasileira.

Essa manifestação caracteriza-se pela dança individual no centro da roda, que pode evoluir para a dança em pares. É comum sua realização em diferentes ocasiões, marcada pela espontaneidade, alegria, celebração coletiva e pelo fortalecimento dos laços comunitários.

Em reconhecimento à sua importância cultural, o Samba de Roda foi registrado em 2003 no Livro das Formas de Expressão e, em 2005, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Em 2013, recebeu também o título de Patrimônio Cultural do Brasil.

Cultura afro-brasileira em Luxemburgo

Um encontro entre tradição e futuro,
entre ancestralidade e aprendizado

Muito obrigado por estarem aqui, por apoiarem seus filhos e por valorizarem esse trabalho que vai muito além das aulas.